Sábado, 30 de Agosto de 2008

ciclo vicioso

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Pela comida para os filhos, trabalhava doze horas por dia.
- Ó Beto, sais ao teu pai, ou quê? Hã? Qualquer dia vem a bófia e leva-te dentro. Que raio são esses pacotinhos?....Bicarbonato? Mas tu pensas que nasci ontem? Quero isso tudo fora desta casa e ainda esta noite.
Com a discussão o mais novo começou a arfar, era mais uma crise de asma a caminho, enquanto isso o bebé da Rosa acordara. Não bastavam os filhos e agora mais um rebento. Como podia ser avó tão cedo. Bom, acontecera o mesmo com ela. Menos mal que este ainda tinha o leite da mãe, que ultimamente andava a aperaltar-se toda, mas daqui a algum tempo era mais uma despesa. A desgraçada nem sabia quem era o pai.

Já chegara a levar a neta quando ia engomar a roupa da mulher do Sr. Dr.. O que valia é que as outras senhoras levavam-lhe a roupa a casa e era um ver se te avias. Não tinha mãos a medir. Levantava-se às seis e não parava. Tinha concorrido à Câmara para tratar dos jardins, mas aquilo era sete cães a um osso. É que ela não tinha cunhas. Ainda tinha deitado a cantada a uma das senhoras que trabalhava na tesouraria mas ela fez-se de parva. A partir daí ficou a pagar mais do que as outras que era para ela aprender.
Pegou na criança e mudou-lhe a fralda.
Continuou a chorar, tinha era fome. Enquanto a mãe não chegava encheu-lhe a chupeta com açúcar – não sem antes a passar pelo copo, sim, porque se tinha feito isto com os dela e eles não morreram, porque não fazer com a neta? Que fazia mal! Ah, mal a quê?
Ela quando tinha quatros anos já bebia um copo como os adultos, e se lhe pusessem açúcar ainda mais bebia. Era noite santa. Nem ouvia os berros do pai quando chegava a casa bêbado, o que era dia sim, dia sim.

Pelo barulho do motor pensou ser uma das senhoras a levantar a roupa. Espreitou pela janela. Não reconheceu o carro. Preto e reluzente. Quem era demorava a sair. Esperava era que trouxessem o dinheiro, que isto de ter bons carros e não pagar era hábito - que não estava a dar dinheiro a caixa multibanco, diziam. Ah, desculpas.

A conta da luz que este mês era alta, em silêncio aceitou o dinheiro da filha.

Bah, ela também tinha andado na vida e não morrera.
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3 comentários:

rosamar disse...

conto muito interessante, mas de onde é q eu conheço a chupeta com açucar?...

Antunes Ferreira disse...

LISBOA - PORTUGAL

Olá!

Cheguei a este blogue através de outros que costumo visitar e neles postar comentários. Cheguei, vi e… gostei. Está bem feito, está comunicativo, está agradável, está bonito – e está bem escrito. Esta é uma deformação profissional de um jornalista e dizem que escritor a caminho dos 67…, mas que continua bem-disposto, alegre, piadista, gozão, e – vivo.

Só uma anotaçãozinha: Durante 16 anos trabalhei no Diário de Notícias, o mais importante de Portugal, onde cheguei a Chefe da Redacção – sem motivo justificativo… pelo menos que eu desse com isso… E acabo de publicar – vejam lá para o que me deu a «provecta» idade… - o me(a)u primeiro livro de ficção «Morte na Picada», contos da guerra colonial em Angola (1966/68) em que, bem contra vontade, infelizmente participei como oficial miliciano.

Muito prazer me darás se quiseres visitar o meu blogue e nele deixar comentários. E enviar-me colaboração. Basta um imeile / imilio (criações minhas e preciosas…) e já está. E se o quiseres divulgar a Amiga(o)s, ainda melhor. Tanto o blogue, como o imeile, tá? Muito obrigado

www.travessadoferreira.blogspot.com
ferreihenrique@gmail.com

Estou a implementar e desenvolver o projecto que tenho para o meu www.travessadoferreira.blogspot.com e que é conferir ao meu/vosso/NOSSO blogue a característica de PONTO DE ENCONTRO entre os Países fraternalmente ligados – Portugal e Brasil. E outros PALOP e etc…
Se me enviares o teu IMEILE, poderei enviar-te «coisas» que ache interessantes. Se, porém, não as quiseres, diz-me que eu paro logo. Sou muito bem-mandado (a minha mulher que o diga…) e muito obediente (cf. parênteses anterior). Abrações e queijinhos, convenientemente repartidos e distribuídos

– Desculpa por este comentário ser tão comprido e chato. Como a espada do D. Afonso Henriques…
- Já conheces o me(a)u «Morte na Picada» que acima menciono? Há quem diga que é muito bom. E até que é o melhor que se escreveu em Portugal sobre o tema. Dizem… Obviamente que não sou eu a dizê-lo… Só faltava… E também há quem tenha escrito que é SANGUE & SEXO… Malandrecos… Pelo sim, pelo não, compra-o.
Depois de o leres, se, por singular acaso, tiveres gostado dele, terás de comprar muitíssimos mais exemplares. São excelentes prendas de aniversários, casamentos, divórcios, baptizados, e datas como Natais, Carnavais, Anos Novos, Páscoas, Pentecostes, vinte e cincos de Abris, cincos de Outubro, dezes de Junhos. Até para funerais. Oferecer o «Morte» na morte fica bem em qualquer velório que se preze. E, além disso, recomenda-o, publicita-o, propagandeia-o, impinge-o aos Amigos, conhecidos, desconhecidos & outros, SARL. Os euros estão tão raros e... caros...
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A editora da obra é a Via Occidentalis (occidentalis@netcabo.pt) cujo site é www.via-occidentalis.blogs.sapo.pt. Neste blogue podem ser consultados mais dados sobre o livro, cujo preço de capa é € 14,70. ATENÇÃO: Pode ser comprado pela Internet.
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NOTA IMPORTANTE: Este texto de apreciação e informação é similar em todos os casos em que o utilizo. Digo isto, para quem não surjam dúvidas ou suspeitas sobre a repetição em diferentes blogues. E para que ninguém se sinta ludibriado – ou ofendido… Há feitios que… Mas, sublinho, apenas o uso quando o entendo, isto é, quando gosto mesmo dos que visito. Nos outros onde também vou, se não gosto, saio sem comentários. Há muitos mais. Aqui na terrinha diz-se que «se não gostas, põe na beirinha do prato…»

Delirium disse...

nahhhhh, adorei o conto.! adorei adorei...
gosto bom tem um conto na lingua lusa ^^